Jan 25 2010
Olá versus Hola?

Qual é afinal a arma secreta dos Espanhóis?
Em Outubro escrevi sobre uma nova marca espanhola chamada “The Spanish Quarter”, de como o rótulo era uma ferramenta de marketing exemplar, e como o esquema de cores e a abordagem arrojada eram um ponto que os espanhóis tinham a seu favor (o nome do artigo era: Veja como fizeram os Espanhóis!).
Recebi há poucos dias um comentário a esse artigo pelo sr. Nuno Teixeira, que referiu o facto de haver outras razões diversas para os Espanhóis venderem mais vinho.
Uma das razões é a sua variedade de castas que combina melhor com o mercado Americano, e o outro facto é que todos os Americanos conhecem Espanha (Colombo tem até um dia especial em seu nome) e sabem onde fica (a comunidade hispanica é a segunda maior nos EUA) e quase ninguém conhece ou sabe onde fica Portugal.
A razão subjacente
Tal como diz, e bem, o Sr Nuno Teixeira, podemos adicionar mais razãoes para explicar o sucesso espanhol, mas eu gostava de ir directamente à raiz da diferença entre Portugal e Espanha.
Veja estas duas imagens:
Esta é a principal diferença de carácter entre as duas populações, a Espanhola e a Portuguesa.
Enquanto os Espanhóis batem nos seus peitos cheios, os Portugueses são calmos e humildes, nunca se gabando dos seus sucessos.
… e os Portugueses atingiram muita coisa!
Uma nação tão pequena foi aquela que liderou o velho mundo a descobrir o novo.
Uma nação tão pequena fez frente ao seu vizinho gigante e manteve-se independente.
All you need is love?
Não me parece. Os produtores de vinho Portugueses precisam de marketing! promoção! Precisam de gritar sobre os seus produtos, a sua qualidade, o seu preço, e o seu orgulho em produzir vinhos com qualidade tão alta.
Concorda?




















Concordo plenamente com tudo o que foi escrito.
Aliás, estou a frequentar a 2ª edição da Pós-graduação em Marketing de Vinhos na Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (www.esa.ipvc.pt). Actualmente única no país, com uma a nota inovadora que caracteriza esta PG no respeitante à Unidade Curricular (UC) de “Seminários”. Às sextas-feiras, entre as 17h:00 e as 20h:00, serão expostas nesta UC, cerca de vinte e quatro experiências no âmbito do Marketing de Vinhos. Durante cerca de hora e meia, empresários, e/ou outros responsáveis qualificados, apresentam casos particulares de marketing em vinhos, ou de estratégias globais de valorização de vinhos. Uma mais-valia formativa nesta área.
Acrescento que uma das razões para esta parca assertividade dos nossos vinhos teve a ver com uma orientação de marketing pouco eficiente por parte das entidades responsáveis pela promoção dos nossos vinhos.
Por exemplo, os Vinhos de Portugal nunca tiveram – ao contrário de todos os restantes países produtores – uma marca coerente, consistente, ‘insightful’, persuasiva e claramente identificadora do(s) nosso(s) produto(s).
As acções de promoção – em que tanto $ se ‘investiu’ – foram bastante descoordenadas, sem fio condutor, sem grande visão estratégica e, sobretudo, com razoável desconhecimento dos consumidores alvo a que se pretendiam dirigir.
Talvez agora com o lançamento a 11 de Fevereiro da nova marca para os Vinhos de Portugal as coisas possam assumir um novo rumo. Caso todas as entidades envolvidas nesta promoção julguem por bem cerrar finalmente fileiras em torno desta estratégia.
Porque, ‘boa’ ou ‘má’ o que é mesmo necessário é que haja ‘alguma’ estratégia – se obtiver bons resultados, fantástico, poderemos prosseguir com ela e aprofundá-la. Ou, caso os resultados não atinjam os objectivos definidos, já se tem pelo menos uma plataforma concreta para se poderem fazer as re-definições e afinações necessárias, detectadas a fortiori através de estudos rigorosos.
A ver vamos se se consegue, pelo menos, explorar e potenciar o grande ‘momentum’ tendencial que o perfil dos nossos vinhos tem vindo ultimamente a ganhar.
M Graça Mendonça
Absolutamente! muito bem dito e muito obrigado por este comentário esclarecedor. Izhar